segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O amor pode causar violência psicológica?

http://brunakd.blogspot.com.br/2010/05/amor-platonico.html


Amor não correspondido, aquele apelidado "amor platônico", é considerado por muitos o mais belo, o mais puro, o mais elevado amor que existe. A imagem acima, no entanto, ilustra bem o que é de fato amar sem ser amado, querer do outro algo que ele não oferece. É uma prisão, um desperdício, um erro.

Não acredito que há virtude em alimentar a paixão, o desejo, o interesse em alguém que não compartilha deste sentimento. 

Amor é companheirismo, é cumplicidade, é troca, é correspondência espiritual e física.

Se você ama alguém, deixa claro que deseja tornar este amor uma experiência comum, que tem desejos pela pessoa amada, mas esta pessoa nunca permite essa concretização, a insistência é um erro trágico.

Explico. Imagine a hipótese em que Maria ama José e José não ama Maria, nem ama outra pessoa.  Maria deseja o amor de José de todas as formas que uma pessoa deseja o amor de outra pessoa: espiritualmente e também fisicamente. Mas José não compartilha desse desejo, porém não deseja ninguém, na verdade. Para Maria, o desejo é tão intenso que a amizade de José é o bastante. Então  Maria solicita a companhia de José no nível que José se dispõe a oferecer: o da amizade. Maria convida José para programas interessantes, teatro, cinema, restaurantes, traz José para sua casa, para verdadeiros eventos culinários e ótimas conversas, saborosas bebidas etc. Presenteia  José o tempo inteiro, mesmo que José diga que não deveria aceitar, mas aceita porque Maria insiste. A paixão de  Maria por José é grande, está disposta a tudo.

Nada disso, no entanto, muda o sentimento de José em relação a Maria. José continua sendo uma pessoa livre, que não ama Maria nem ama ninguém. Oferece a Maria o que não traz prejuízo, a sua companhia, a sua presença. Até porque Maria faz de tudo para que a sua companhia seja rica, pois quer conquistar o amor de José, tão desejado.

Este amor, que Maria tanto deseja concretizar fisicamente, José nem imagina que se torna físico, pois a cada encontro agradável, cada sorriso aberto de José, cada gesto de amizade que este oferece a  Maria, a excitação de Maria acontece e a realização física desta excitação é feita na solidão, José não sabe, da masturbação.

Assim, Maria tem a sensação de que José oferece a realização do desejo: espiritualmente, com a sua presença em tantos momentos agradáveis; fisicamente, nos sorrisos, nas palavras de gratidão, na alegria da sua presença que dá excitação a Maria e se realiza na masturbação solitária desta.

Em uma relação assim, as duas partes estão em perigo.

No dia em que José encontra alguém para amar (Rita), tudo se torna muito complicado. O início de um relacionamento amoroso de José com Rita transforma a ternura da amizade de Maria em verdadeira tensão psicológica. Imediatamente, Maria odeia Rita, inevitavelmente. Esta pessoa que chega de repente e conquista de José tudo o que Maria trabalhou tanto para conquistar, durante um longo tempo, é automaticamente invejada, odiada, esta pessoa nunca será tão boa quanto Maria pensa ser. Nunca amará tanto José, nunca terá tantos adjetivos, nunca conhecerá tão bem os gostos de José, quanto  Maria pensa conhecer. Maria considerará insuficiente tudo o que Rita tem a oferecer para José. Mas para José nada disso importa, pois ama Rita verdadeiramente, independentemente do que Rita tem a oferecer. O amor não é mercenário, o amor acontece mesmo que não seja correspondido. Mas  Maria, que sempre ofereceu de tudo a José em troca do seu amor, depois de tanto tempo tentando fazer o amor acontecer como se fosse mercenário, irrita-se imensamente com o fato de que Rita adquire o amor de José sem ter feito nada por isso.

Acontece que não é somente Rita que corre o risco de ser atingida pela fúria de Maria. José também corre este risco. A amizade é colocada em questão, os carinhos e as experiências comuns são cobrados, usados como elementos de verdadeira pressão contra a liberdade de José para amar Rita.  Maria cobra justiça de José, apresenta a lista completa de tudo o que viveu com José para insistir que José tem o dever de continuar ao seu lado, mesmo que isso prejudique a relação de José com Rita.  Maria pensa que é mais importante que Rita porque chegou primeiro e deu demais a José. Chega a acreditar que Rita não é ninguém, que nunca poderá oferecer nem 10% do que ela ofereceu. 

Acontece que José ama Rita e o amor, quando acontece, não encontra limites, é como uma tsunami, uma onda que avança fortemente, mesmo que haja as mais insistentes barreiras. O amor de José por Rita, se for bem correspondido, será concretizado, experienciado intensamente, mesmo que haja toda a pressão de  Maria contra isso.

Se você está na condição de Maria, faça um grande favor por si mesmo, esqueça este amor, siga em frente, tente oferecer de si mesmo a outra pessoa que talvez venha a corresponder todo o seu carinho. Deixe José livre para amar.

Se você está na condição de José e tem alguém como Maria ao seu lado, faça também um favor por si mesmo, saia desta relação o quanto antes, pois logo logo aparecerá Rita. Garanta imediatamente a sua liberdade para amar e ser feliz.

O amor só pode trazer bem. Se traz sofrimento, sentimento de posse, não é amor, é obsessão, é apenas tesão.

Amar é tão gostoso! Ser amado é um sonho! Experienciar um amor correspondido é tudo! Tesão, quando é fruto do amor correspondido, tesão correspondido, é o êxtase.

Amemos!

Beijos a todos,
Késia Mota

Um comentário:

Valentina, uma mulher que fala disse...

amei seu blog e seu artigo
tenoh um tbem vai la ver. estou te segundo APOIADO