domingo, 14 de abril de 2013

Poetas que censuram poetas

Dia desses tive o desprazer de ouvir um poeta paraibano muito metido a coisa dizer que somente depois dos quarenta anos as pessoas deveriam se aventurar a escrever poesia. Lamentável! Sei lá o nome do infeliz, não me interessa nem um pouco, jamais perderei o meu tempo lendo os seus textos!

Outro dia, mais recentemente, ouvi uma aluna concluinte de graduação dizer que sofreu na defesa do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso - a Monografia), pois uma das professoras que compunham a banca foi altamente arrogante, acusou a aluna de inventar informações e falou de forma altamente desmotivadora. A menina disse para mim: Késia, a professora acabou comigo, saí de lá chorando, me dá vontade de nunca mais voltar à universidade!

Diante dessas duas situações, senti muita vontade de vir ao blog para expressar a minha opinião a respeito desse poeta que desmotiva jovens poetas e dessa professora que "acaba" com jovens professores. Ambos altamente arrogantes, prepotentes e muito enganados. Faz lembrar a mensagem transmitida pelo "Poeminha do contra", de Mário Quintana, abaixo:

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho! 
(Mário Quintana, Prosa e Verso, 1978)


Acho que este poema é uma lição interessante para os críticos de poesia (passarões desajeitados) que fazem de tudo para minar a vontade de seguir adiante dos jovens poetas (passarinhos melodiosos). O mesmo se aplica aos professores arrogantes, que se julgam senhores da verdade e adoram detonar os jovens alunos, desmotivando o seu avanço na carreira. Enfim, qualquer profissional que atua há mais tempo em relação aos que iniciam. Perceba que eu não disse mais experientes. Estar há muito tempo na área não significa ser experiente. Muita gente que atua faz tempo perde as oportunidades de adquirir experiência. Adquirem idade, não experiência. É diferente.

Há jovens muito mais experientes que alguns velhos há longa data na carreira. Creio que o poeta velho que desacredita a poesia dos jovens poetas não passa de um medíocre escritor temeroso da concorrência dos mais talentosos que ele. Para minar essa concorrência, faz até acusações levianas, lança mão de todo e qualquer artifício para disfarçar sua própria mediocridade. Morre de medo de perder espaço para quem realmente tem talento.



Essa linda menina de cabelos pretos, nem precisa dizer quem é: a grande Elizabeth Taylor, quando criança, atuando no filme Jane Eyre, de 1944. O que seria se alguma atriz adulta tivesse dito para ela que somente depois dos 40 anos ela deveria produzir e a nossa diva tivesse acreditado nessa conversa fiada?

Nem mencionei a outra menina, Peggy Ann Garner, que representa muito bem a personagem que dá nome ao filme, Jane Eyre, de castigo no banquinho, na cena acima. [Aliás, recomendo esse filme, adoro! rs]


E o grande, maravilhoso, incrível dançarino, cantor, astro de primeira grandeza, Michael Jackson, que começou quando criança?

Nem preciso falar de Mozart, com certeza um nome que vem à sua mente agora mesmo! Ele já era gênio aos seis anos de idade, senhores poetas censuradores de poetas jovens!


Enfim, com esse meu desabafo não pretendo apenas me rebelar contra os poetas que censuram poetas, os professores que desmotivam os jovens a seguir a sua profissão, mas quero dizer que é preciso assumir responsabilidades adequadas à posição que se coloca.



Adquirir idade não significa receber autorização para julgar mal os trabalhos dos mais jovens. Há muitos idosos desrespeitados no mundo, odeio isso! É preciso respeitar a experiência dos velhos e aprender com eles.



Mas as pessoas precisam entender que não se ensina o que não se sabe. Não é somente a idade que leva alguém a ter condições de ensinar algo. Todas as pessoas podem aprender muito com os mais novos.  A maior lição a se aprender e a ensinar é a troca. Velhos, vocês podem aprender com os jovens! 



Jovens, não perca a vontade de seguir adiante quando uma pessoa com mais idade disser que você não pode. Einstein ouviu um professor dizer que ele não teria futuro na vida. Não desistiu por causa desse passarão. Que bom!



Você pode até saber tudo sobre um determinado assunto, mas não sabe tudo sobre tudo na vida.



Manuel Bandeira chamava de "pardais novos" os jovens poetas que pediam conselho a ele. Atendia com carinho esses pardais novos. Mário de Andrade fazia questão de responder a todos os jovens poetas que se dirigiam a ele para pedir conselhos. Grandes poetas que com certeza motivaram outros poetas a seguir em frente. Exemplo disso é Afonso Romano de Santanna, que se aconselhou um dia com Manuel Bandeira. Hoje um grande nome da poesia.



Os mais velhos não adquirem respeito só porque o tempo passa. Adquirem respeito por adotar conduta respeitosa. A cordialidade para aconselhar os novatos é a chave para um futuro de respeito, para se tornar  um velho com quem os jovens desejam aprender.



Abraços a todos,
Késia Mota

Um comentário:

Leo Barbosa disse...

O tempo não traz sabedoria. Conheço jovens sábios e velhos revestidos de amargura e arrogância. Idade não é sinônimo de maturidade. A vida quando dura demais ou amarga ou apura. Há quem tenha apurado o podre. Gostei do seu texto, Késia. Adorei a metáfora do "Passarão". Um texto que dá voz a muito do que gostaria de ter dito e já disse. Parabéns e obrigado.