terça-feira, 17 de abril de 2012

Palestra não é leitura



Hoje eu fui assistir a uma palestra.

Apresentação elogiosíssima do ministrante, convidado de outra instituição de ensino superior, ilustre Doutor Professor Fulano de Tal.

Suas primeiras palavras foram lindas. Ele acredita que, no currículo lattes de um professor, bastaria a apresentação "É professor" e pronto, a descrição seria grandiosíssima. Citou o belo ditado "a única pessoa que  não se curva diante do Imperador, no Japão, é o professor". Vibrei.

Em seguida, pegou uns papeis e começou a ler um artigo recém publicado (ou para ser publicado, não lembro). Enquanto ele lê, escrevo este texto. Penso: não teria sido bom que o programa de pós-graduação enviasse o texto por e-mail? Leria e entenderia o que o ilustre doutor pensa sobre o tema que estudou e desenvolveu, pelo que disseram, muito bem.

Paro um pouco para ouvir algo que ele diz: "Abre aspas"... blá blá blá... "fecha aspas". Acho graça, mas detesto ouvir palestras lidas principalmente nas citações. "Abre aspas... fecha aspas" me dói.

Aprendo.

Jamais apresentaria uma palestra lida.

"O tempo como uma espécie de termômetro... talvez se possa dizer do tempo... vários tempos... relações sociedade-cultura-tempo...". O trabalho parece ser bom, tema interessante, mas tenho essa dificuldade, não consigo me concentrar em longos textos lidos, nunca pude. Há quem tenha essa aptidão. Não eu.

Palestrantes do Brasil, palestrantes do mundo inteiro, evitai ler nas apresentações (e nas aulas, nas palestras etc). 

Palestrante, olha no olho da plateia, fala como quem sente o que diz. 

Como se olhasse nos olhos de alguém para dizer eu te amo, fala do tema do trabalho aos ouvintes ali sentados.

Gosto muito de palestras, adoro assistir a aulas, sou uma aluna muito disciplinada. Os palestrantes devem entender que palestra é aula, não pode ser lida. Imaginou, palestrante, assistir a uma aula em que o professor senta e começa a ler? A gente dorme, né? Ou fica fazendo outra coisa.

Abraços a todos,
Késia Mota

Um comentário:

Verônica Barbosa disse...

Concordo plenamente com você, Késia, é muito chato ter que assistir uma palestra lida por um professor. O que dá vontade é de dormir. rs.rs.rs...