quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

E o incrível departamento de jornalismo da Rede Globo, cheio de novidades, descobriu a pólvora, hoje. Noticiou que o custo de vida aqui no Brasil é mais caro que o dos EUA. E quando foi mais barato, heim?

O quanto somos manipulados pela imprensa mal temos noção. Conhecemos a realidade que nos afeta? Temos uma visão adequada dos fatos ocorridos no mundo? Segurança a respeito de como proceder para evitar tropeços? A cada edição de programas jornalísticos, especialmente, os da Rede Globo, mais inquietação adquiro. Até que ponto as notícias selecionadas para fazerem parte da pauta da programação são realmente relevantes para a nossa formação como sujeitos sociais, cidadãos em exercício de direitos e deveres, seres pensantes, coisas assim? Questiono. Questiono tudo.

Dependemos do que nos contam talvez até mais do que percebemos por nós mesmos. Pode ser que em determinado ponto da vida cheguemos à constatação de que estava tudo errado ou insuficiente, do que nos contaram. Mas o que nos contam fazem muito da nossa história. O que a sua mãe contou para você sobre a vida? Sobre como você surgiu, o que era o mundo antes disso, e como eram as pessoas ao seu redor? Sua historinha de vida depende muito disso, queira ou não. 

Por que o Brasil foi colonizado? Por que os índios não mataram os portugueses quando eles chegaram aqui, senhores de tudo e de todos? Por que os africanos vieram tão submissos nos navios negreiros e trabalharam tão subservientes para aqueles desgraçados europeus, sendo homens fortes e capazes de vencer aqueles preguiçosos? Por que os livros didáticos exaltam a história europeia como se a nossa fosse parte daquilo e não a triste história de uma colônia explorada sem escrúpulos? 

A minha mãe contou meias verdades sobre a minha própria história. Acho que as mães de todas as pessoas fizeram isso. As escolas distorceram tudo e tivemos que engolir. As igrejas doutrinaram para dominar. Tudo é poder. Para as mães, para os educadores, os religiosos, os livros didáticos, para a imprensa. Somos peças do jogo de poder. Nada sabemos, na verdade. Nem sabemos o que vem a ser a verdade. Mas dizem que ela é. E diante dela, nos moldam.

Questiono, duvido. De tudo. Da minha mãe, das escolas, das igrejas, da Rede Globo, de você que está lendo e você de mim, por favor. Enquanto não duvidamos, aceitamos tudo. Questionando, participamos e assim podemos pelo menos tentar ser autores das nossas próprias histórias. Meias verdades, tabus, preconceitos, manipulação da realidade. Quando duvidamos de tudo isso, conseguimos pensar em descobrir quem somos. 

Nosso custo de vida é mais caro que o dos EUA? Nossa, isso há muito tempo, né, carapálida! Quer me fazer o favor de contar algo que me ajude a ser alguém melhor, mais culto, inteligente e esperto?

Daria ibope?

Um comentário:

Leo Barbosa disse...

Boa e necessária reflexão. Muitas pessoas quando ligam a televisão, desligam o cérebro. Abram um livro, um não, vários. E por escolha, não por imposição da mídia. Beijos, Motak